Há mais belezas escondidas entre o mar e a cidade do que sonha nossa vã filosofia. Sim, o trocadilho bem que poderia caracterizar os mistérios paradisíacos achados ou perdidos pelo País, desvendados ou não por nossas visões e sensações tão ávidas por pedacinhos de céu na terra, não?
O Rio de Janeiro, já tão desbravado, ainda figura entre aqueles lugares encantados que escondem em pequenos becos, praças e areias uma chama que nunca se apaga e assim encanta e reencanta sempre.
Mas, esqueça, só por enquanto, o clima quente que faz a praia ferver e troque o sol pelo luar...apenas por alguns momentos. Troque o calçadão pelas calçadinhas e então navegue por outros mares, devagar.
Para quem gosta de música, noite e lua, o reduto da boemia carioca está mais gracioso e concentrado do que nunca. Está na Lapa. Está no charme de cada detalhe.
Antes visto com maus olhos por muitos, agora o bairro é a “menina dos olhos” de milhares. É lá que diferentes tribos e jovens de todas as idades se reúnem para ver e ouvir. É lá que acorda e dorme o berço do chorinho e do samba, com raízes musicais ecoando pelos cerca de 60 bares e restaurantes que compõem seu cenário rústico. Eles estão abertos e enfileirados nas calçadas iluminadas, com luzes vindas de dentro e de fora. Luminárias, salões acesos e gente brilhando.
O temido bairro, marginalizado, violento e áspero, trocou de cara. Restaurado há 8 anos, suas paredes mudaram, sem perder a arquitetura original, mas criando uma nova paisagem. Construções e ruas revestidas e renascidas, outro brilho, outra cor. O processo foi longo, envolveu parcerias entre empresários, moradores e Prefeitura. O resultado são as mesas lotadas e o som alto. Barulhinhos bons. Sorte dos turistas!
A Lapa de hoje reúne seus ‘lapeiros’ com orgulho. O choro, o sambinha e o jazz apresentados em quase todas as casas, de terça a domingo, envolvem o todo e contagiam a semana. O cardápio também é rico. A cerveja gelada pode ser acompanhada por petiscos e frutos do mar, presentes em seus bares, muitos deles com peculiaridades gastronômicas.
Como atração, destaca-se o Santo Scenarium, com santos em todos os cantos. Isso, a casa é toda decorada com imagens sacras, mas com ar modernoso. O restaurante ganha pela decoração e pelo paladar, que traz variação de pratos para todos os apetites. No mesmo endereço, na Rua do Lavradio, nº 20, (uma das principais) o vizinho Rio Scenarium reina como favorito quando o assunto é balada. O atrativo não é apenas o rodízio de grupos musicais, mas também sua decoração composta de antiquários — normalmente alugados para filmes e novelas. Por falar em antiquários, é bem ali, na Lavradio, que acontece aos domingos, a feira de peças antigas e de artesanatos, dando ao bairro um gostoso sabor cultural.
Voltemos aos bares. O Lapa 40º é um dos novos points e tem como proprietário o famoso dançarino Carlinhos de Jesus. É uma opção para quem quer pistas largas e madrugadas a dentro. Forró, gafieira e samba na Rua Riachuelo, nº 97, a hora é de dançar.
Já para a hora de beber, o que não faltam são os botecos, com suas cachaças artesanais e porções generosas. O Mangue Seco (também na Lavradio, nº 23) e o Antonio`s Boteco (na Rua Mem de Sá, nº 88) trazem esse clima de botequim chique. Outra boa pedida é o tradicional Carioca da Gema (ainda na Rua Mem de Sá, nº 79), que faz um revezamento de sambistas de raiz, de famosos a desconhecidos. Cada noite, uma programação. E muitas vezes, o pandeiro, a viola e a conversa entre amigos só acabam ao amanhecer, seja lá qual for a esquina e o tempo.
A repórter viajou a convite do Rio Convention & Visitors Bureau.
Santa Tereza continua a derramar seu charme
Subir o morro e percorrer o bairro a bordo de um bondinho é um programa obrigatório
Sente-se, abra o cardápio e peça o verde. Montanhas podem ser apreciadas a cada garfada. Alguns restaurantes de Santa Tereza têm vista para a natureza. Estamos entre petiscos diferenciados e peixes de muitos molhos e gostos num Rio mais interiorano. Um bondinho, com saída dos Arcos da Lapa, pode levá-lo a Santa Tereza e percorrer todo bairro. Lá, feiras e lojas de artesanato dão o tom. Pode-se também encontrar exposições de quadros e esculturas pela rua. Os artesãos capricham na criatividade, enchendo os olhos de quem busca um presentinho ou um mimo especial.
Curvas, ladeiras, casarões antigos, que viraram hotéis, e casas grandes que continuam como refúgio de seus moradores, são marca registrada, sem contar as pequenas casinhas (agora restaurantes), com convites para uma boa comida. Uma das pedidas é o Espírito Santa, encravado na Rua Almirante Alexandrino, nº 264, no Largo dos Guimarães), um dos locais mais badalados do bairro, com paredes coloridas, decoração rústica e cardápio farto em frutos do mar e cozinha brasileira. Não vá de Coca-Cola, lá o forte são os sucos e cachaças de todas as frutas.
Seu ar de `vila` com jeitinho de Interior são mesmo convidativos. De lá, a sugestão é seguir para o Corcovado, o trajeto é belo e lá em cima Cristo brinda as belezas da vida, de braços abertos. (EN/AAN).
Cidade do Samba é uma boa diversão para carnavalescos
A partir de outubro visitante pode espiar o ritmo frenético do preparo das fantasias
O Rio da folia é sentido em todos os meses. O clima carnavalesco cativa brasileiros, mas para quem não vive na terra da fantasia, foi criada uma ilha de adereços, máscaras e serpentinas. Falamos da Cidade do Samba. Desde 2005 é lá que cada escola de samba do Grupo Especial do Rio tem sua ala. São galpões fechados que guardam todo material usado nos desfiles, de um chapéu a uma bateria, de uma melodia a um carro alegórico. Um galpão ao lado do outro, com tamanhos simetricamente iguais. É interessante para a visitação, principalmente a partir de outubro, quando é possível conferir a produção a todo vapor de cada peça. Fica cheio de gente, rufando os tambores da expectativa.
Mas a partir de julho, para o turista que quer dar uma sambadinha antes da hora, é só mergulhar no Samba in Rio, onde um animado cordão de foliões com cantores, ritmistas, passistas e tudo mais transformam o espaço em um pequeno sambódromo, ao som de sambas conhecidos. É possível participar do desfile, ao preço de R$150. É também servido um bufê com comes e bebes. Só cuidado para o prato não tremer!
A Cidade do Samba fica no coração da Zona Portuária do Rio, na Gamboa. Para reservas para desfiles e visitação o fone é (21) 2213-2503 ou (21) 2213-2546. (EN/AAN).
Teleféricos do Morro da Urca estão sendo trocados após 36 anos de vaivém
Passear com o novo e velho bondinho (agora já não tão mais velho assim...) não pode sair do roteiro. Vale a pena uma, duas, três vezes... Subir o Morro da Urca ou o Pão de Açúcar vai continuar sendo um dos passeios mais especiais do Rio. Agora, novos bondinhos levam o turista a bordo com pouco mais de conforto. Com design mais moderno, formas mais arredondadas, vidros fumês anti-reflexo, novo sistema de ventilação e uma trilha sonora bacana, composta de clássicos da música brasileira, os novos bondes devem chegar até o final do ano. No início de junho, uma das cabines teleféricas já foi inaugurada. Vale lembrar que os bondinhos estão sendo trocados após 36 anos e já levaram mais de 26 milhões de turistas.
Não só o dia fica melhor assim. Mas a noite também vai ferver no Verão. É quando Morro vira música. Lá em cima, shows de bandas e artistas do pop ao clássico disputam a atenção com a Praia Vermelha. É só comprar o convite, pegar o bonde, olhar para baixo, para cima e cantar! (EN/AAN).