Abeoc divulga carta com balanço do evento e reivindicações

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No encerramento do ‘Eventos Brasil 2014’ a Abeoc Brasil divulgou uma carta que é uma síntese das discussões e conclusões do 26º congresso da entidade. Além de enfatizar a importância do setor, que cresceu 14% em 2013, movimentando R$ 209,2 bilhões, o documento chama a atenção para a necessidade de desburocratizar o setor.

Veja abaixo o texto completo da carta:

CARTA DE SÃO PAULO

A ABEOC BRASIL – Associação Brasileira de Empresas de Eventos promoveu o EVENTOS BRASIL 2014 – 26º Congresso Brasileiro de Empresas e Profissionais de Eventos, nos dias 07 e 08 de dezembro de 2014, no Centro de Convenções Rebouças, em São Paulo. O setor de eventos continua a impressionar. Na contramão da maioria dos setores da economia brasileira se desenvolve de forma impressionante, cresceu 14% em 2013 movimentando R$ 209,2 bilhões nos 590 mil eventos realizados em todo Brasil. Ainda conforme dados do II Dimensionamento Econômico da Indústria de Eventos – 2013 publicado pela ABEOC em parceria com o SEBRAE representamos 4,32% do PIB e os diversos atores da cadeia produtiva geram empregos para aproximadamente 3,75% de toda população brasileira.

Os eventos são os mais propícios para novas relações profissionais e para as trocas de experiências. Os resultados gerados por um evento bem realizado se refletem nas imagens de promotores, patrocinadores, expositores, palestrantes, participantes e por consequência em toda sociedade. Do ponto de vista do Turismo, os eventos respondem por ocupação principalmente em período de baixa temporada, envolvem uma grande cadeia de fornecedores, promovem ocupação na rede hoteleira, em restaurantes, bares, supermercados e atrativos turísticos. Geram empregos, renda e divisas. O maior desafio é integrar os temas do evento com a comunidade local buscando deixar legados.

Chega de eventos que passam por um destino somente por passar, há de se atuar e deixar conhecimento para a sociedade, pois conhecimento gera discernimento e discernimento muda a forma de vida. Participantes de eventos são formadores de opinião, com bom poder aquisitivo, dispostos a gastar quando deparam-se com oportunidades, exercendo assim pressão pela constante melhoria dos serviços.

Os elevados custos da rede hoteleira e dos espaços para realização de eventos nas capitais brasileiras nem sempre condizem com a qualidade dos espaços e dos serviços apresentados. Provocados principalmente pela alta ocupação verificada, fortalecem a tendência de busca por destinos emergentes e a interiorização de eventos, se atendidos os quesitos comumente avaliados: acesso, espaços, rede hoteleira, rede de fornecedores especializada, hospitais, diversidade de restaurantes e bares, lojas, atrativos turísticos, transporte público, segurança, internet, saúde e mão de obra qualificada com facilidade para interagir com estrangeiros.

A realização de um bom evento é o resultado da soma de esforços. A sinergia entre os promotores, organizadores e representantes dos destinos deve ser total. Enquanto os promotores são detentores dos eventos, cabe aos organizadores estruturar, dar forma e propor alternativas para que juntos definam a melhor maneira de realizá-los visando ampliar o êxito, garantindo o sucesso de crítica, de público e o financeiro. Já ao destino compete o bem receber, tornando aquele o primeiro dentre tantos outros eventos que por lá passarão. Se esta missão do destino for bem executada pode arrecadar muito. Em 2013, segundo o referido e atual dimensionamento, os impostos gerados pelas receitas dos eventos somam R$ 48,6 bilhões. Apesar disso, a bitributação ainda é uma realidade que precisa ser vencida.

Desburocratizar e clarear a forma de obtenção das licenças e alvarás pode induzir a realização de mais eventos. Não esperamos que se tornem menos rígidos, mas sim que a burocracia possa ser mais facilmente vencida e que sejamos tratados por pessoas que saibam do que estamos falando.
Observamos atentamente os rumos da economia nacional e o risco de potencial impacto pela crise internacional que assombra o mercado europeu e americano.

As frequentes mudanças nos cargos públicos relacionados ao Turismo impedem que as ações sejam continuadas. O planejamento, a articulação, a mobilização e a sensibilização sofrem pelo eterno recomeço. O setor pede mudança! E ainda, que sejam escolhidos técnicos com comprovada experiência no setor em detrimento a escolhas puramente políticas.

E neste novo momento, o tempo de resposta do Poder Público precisará mudar. É fundamental que sejam fomentadas políticas públicas integradas, leis convergentes, fortalecimento, valorização e renovação do quadro dos órgãos que lidam e tratam do turismo de negócios e eventos.
Qualquer mercado em constante oscilação sofre, pois torna-se baixa a capacidade de manter estruturas com quadro de funcionários bom e qualificado. A formação de mão de obra para as empresas de eventos é nosso maior gargalo. Hoje, nossas empresas são as escolas! Tendo em vista a alta competitividade mediante um mercado globalizado, há de se promover o constante diálogo entre as entidades de ensino, geradoras do conhecimento atualizado e o setor contratante visando o alinhamento da formação profissional em função da demanda existente.

Três importantes questões a serem tratadas de forma imediata são a regulamentação do trabalho temporário, a autorregulamentação do mercado de eventos e a revisão da Lei Geral do Turismo tendo em vista a atualização diante da amplitude do setor que representamos.

Todos ganham à medida que a cadeia produtiva de eventos se envolva e interaja no momento de alta tão bem quanto o faz em momento de baixa. Clientes cada vez mais exigentes e conhecedores da importância dos eventos para suas instituições exigem empresas mais estruturadas e qualificadas.
A partir do EVENTOS BRASIL 2014, o setor de eventos conta com certificação, promovida pela ABEOC em parceria com o SEBRAE e auditorias da ABNT. Ainda no evento 97 empresas receberam o Selo de Qualidade ABEOC BRASIL.

Os empresários do setor de eventos continuarão investindo para melhorar a qualidade dos serviços prestados e esperam transformar o aprendizado pela prática no aprendizado pela ciência. Eventos geram experiências e números que precisam ser estudados e transformados em conhecimento para que todo setor se desenvolva.

Ao término do EVENTOS BRASIL 2014, o sentimento é de otimismo e o setor está preparado para respaldar o crescimento do Brasil.

 

Fotos: Eric Ribeiro